"Although it is not true that all conservatives are stupid people, it is true that the most stupid people are conservative." John Stuart Mill
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Jan 12
publicado por Tó Zé, às 13:12link do post | comentar

Numa resposta muito própria do Zé Povinho se me fizessem uma questão onde perguntassem qual das duas opções preferia, eu responderia "Venha o diabo e escolha", isto deve-se ao facto de que as crises do século XX não foram resolvidas com cortes mas sim com aumentos.

Estranho? Talvez não, leiam o resto.

Quando se dá uma crise económica, uma das coisas mais importantes a fazer é colocar dinheiro a circular para as pessoas voltarem a investir na economia, sendo que isso pode ser feito de muitas maneiras. Mas, também se usou uma tática de redução do horário de trabalho e até aumento de ordenados.

Obviamente estas medidas parecem estranhas ao observador comum, se há menos dinheiro, é de esperar que se reduza os salários, para diminuir os custos de produção, e se aumente o horário de trabalho, para aumentar a produção. Acontece, que os economistas na década de trinta do século XX descobriram que os problemas não se resolvem assim. É preciso que as pessoas gastem dinheiro na economia para que essa volte a existir, por isso aumenta-se os salários.

Mas, agora que está explicado um dos pontos falta explicar o outro, está a pensar o leitor. É verdade. O horário de trabalho é reduzido, porque se a sociedade está a enfrentar problemas de desemprego, é necessário colocar mais pessoas a trabalhar, mas, é óbvio que os patrões nunca querem isto, então obriga-se os patrões a precisar de mais pessoal, colocando aqueles que já existem a trabalhar menos tempo.

Imagino agora que se o leitor ainda está a ler este texto, está bastante confuso, isso deve-se a dois motivos. O primeiro é que se tudo isto é assim tão óbvio, por que razão o governo não põe isto em prática? O segundo é que se não há dinheiro, estas medidas só iriam provocar a falência das empresas que ainda conseguem resistir, principalmente entre as pequenas e médias empresas.

A resposta à primeira questão, eu só posso dizer que provavelmente o nosso atual governo segue um modelo económico diferente daquele que foi aplicado noutras crises, noutros países, uma vez que a outra alternativa implicava a incompetência dos nossos governantes, na qual eu pessoalmente não acredito.

A resposta à segunda questão é bastante mais simples, mas provavelmente mais longa. Numa situação de crise, como eu referi no início do texto, os governos inserem geralmente dinheiro na economia, sendo que isso se pode fazer de variadíssimos modos. Aquele que eu vou referir neste texto foi aplicado na década de trinta pela administração Roosevelt nos EUA. Trocar dinheiro, notas, por ouro para derreter, assim, todas as pessoas que tinham peças de ourivesaria em casa, podiam trocá-las por dinheiro para gastar, aqui temos uma injeção de dinheiro diretamente na economia, sem recorrer à banca. Note-se que no atual contexto económico em que as pessoas estão a vender o seu ouro a empresas privadas, esta medida poderia ser útil. Mas, note-se também que como estamos inseridos numa moeda única o Estado português não poderia executar esta operação por si só, como fez o governo norte-americano. Ainda assim, espero que com o efeito contágio que muito provavelmente se vai assistir ao longo deste ano, a administração da UE tome medidas deste género.

Outra forma de inserir dinheiro na economia, mas desta vez com o único propósito de superar o défice das contas públicas é tomar a mesma opção que um dos governos da revolução francesa, penso que do período da Convenção, em que o Estado executa um empréstimo forçado aos ricos, para poder pagar as suas dívidas. Obviamente, isto iria levar a mais casos de deserção fiscal como o da família Soares dos Santos. O que agravaria ainda mais o défice das contas públicas.

Espero que este texto tenha sido útil para demonstrar a quem o leu que existem outras medidas para além dos cortes para reforçar uma economia, provocando menos estragos a nível social. Infelizmente os governos só as tomam quando todas as soluções estão completamente arrasadas e a única opção é, como diria de novo o Zé Povinho, lixar um bocadinho menos o mexilhão.


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