"Although it is not true that all conservatives are stupid people, it is true that the most stupid people are conservative." John Stuart Mill
22
Fev 12
publicado por Tó Zé, às 10:15link do post | comentar

Numa altura em que se volta a falar de greves na CP e em que as pessoas voltam, como cães raivosos a pedir a tirania das privatizações, visto que só isso pode salvar o que resta dos transportes, eu continuo a defender não só o público como os grevistas.

Começando pelos grevistas, acho que eles devem lutar pelos seus direitos, mesmo que isso implique regalias estapafúrdias (o que eu duvido é que essas regalias sejam assim tão descabidas). É verdade que em tempo de crise TODOS temos de fazer sacrifícios, espera-se isso de TODOS incluindo os governantes e os donos de cadeias de supermercados holandesas. Não percebo por que razão os funcionários da CP não podem ter regalias mas os gestores podem ter carros de serviço caríssimos, que em nada contribuem para o desenvolvimento da empresa em questão. Não entendo porque reclamamos com ordenados um pouco acima da média quando os gestores de empresas públicas ganham o que ganham.

Quando falei que todos devem fazer sacrifícios, falei nos governantes e nos donos de supermercados, é óbvio que podem-se efetuar reformas salariais que convertam ordenados de 7000€ por mês ou acima desse valor num máximo salarial público de, por exemplo, 4000€ por mês. O Estado pode criar uma lei do máximo apenas inerente ao Estado e às empresas públicas, é claro que esse teto máximo incluiria lá dentro todos os subsídios e bónus que os trabalhadores pudessem receber. O exemplo só tem de vir de cima para todos nós o aceitarmos. Se pessoas como o Paulo Portas abdicarem de grandes ordenados, talvez quem está mais abaixo não se queixe ao seguir o exemplo. É claro que uma lei assim deve ser aplicada a todo o Estado e não apenas aos "chulos dos grevistas", como dizem muitos cães raivosos.

Descendo ao patamar das reformas administrativas e privatizações, assumo que deve ser o Estado a controlar tudo o que ainda controla, sem intenção de obter lucro. Os transportes públicos não são exceção e é verdade que são necessárias algumas reformas. Por exemplo, em Lisboa existe a Carris e o Metro, se unirmos os dois, poupamos de imediato em toda a cadeia de gestão, depois, podemos realmente suprimir algumas carreiras de autocarros que não fazem falta devido ao Metro e colocar os autocarros, com os mesmos custos em locais da cidade onde sejam necessários à população. O sistema de transportes deve ser reformado com eficiência e não com cortes cegos na despesa.

Assumo inteiramente que o Metro não precise de tantas carruagens fora da hora de ponta e pode realmente andar mais devagar. Mas também assumo que a gestão dessa empresa pública deve ser mais comedida nos custos de carros de serviço, se realmente os transportes são assim tão bons, podem usá-los para irem até aos locais necessários dentro da cidade. Se precisarem de transportes só para eles dentro da cidade significa que não conseguem usar os apregoados maravilhosos transportes públicos.

Também assumo que as pessoas possam contribuir para melhorar os transportes públicos dando sugestões e até não estando demasiado tempo a conversar à porta do comboio, como vi uma vez na linha de Cascais, ou entram ou saem, mas rapidamente. Se calhar, o problema não é dos trabalhadores, é dos gestores que não sabem gerir convenientemente as empresas do Estado (ou que têm ordens para o fazer mal e assim justificar privatizações junto da opinião pública).

Com este texto quis demonstrar que realmente muito está mal neste país, mas, devemos melhorar e não atirar as culpas a quem trabalha como nós.

 

Aqui vão os ordenados da CP:

http://www.sinfa.org/cp_carga_01.pdf

 

E aqui os da Carris:

http://www.sitese.pt/webuploads/docs/523/ficheiro/Carris.pdf

 

Infelizmente não encontro nenhuma tabela fiável relativa aos vencimentos do metropolitano de Lisboa. Com tabela viável assumo algo publicado pela direção da empresa, pelo Estado ou por um sindicato, em contrapartida, para quem quiser disponibilizo informações do Correio da manhã (que todos conhecemos por ser um jornal de confiança e nada sensacionalista) num blog que encontrei na internet com dados relativos a 2006:

http://www.contra-brecagem.com/forum/index.php?topic=569.0


20
Fev 12
publicado por Tó Zé, às 08:34link do post | comentar

Depois de ter lido no website do Diário Económico a notícia sobre o jornalista da TVI que sofreu represálias por dar a conhecer ao mundo algo que até é importante, pelo menos para nós, questionei-me sobre o direito à informação.

Quando os paparazzi seguem as pessoas de modo a saberem tudo sobre as suas vidas privadas para contarem nas revistas, temos a aceção clara de que é ilegal, ou pelo menos não é ético. No entanto, aqui estamos perante o caso de um repórter de imagem que gravou uma conversa entre dois ministros, numa sala pública, sobre um tema que diz respeito tanto aos contribuintes portugueses como alemães.

Se no primeiro caso considero, como já disse, que não é ético, no segundo, acho que é perfeitamente ético o jornalista passar ao mundo uma informação importante. Todos os portugueses e alemães têm o direito de saber se vai realmente haver um novo empréstimo a Portugal para pagar as contas. E mais, todos os europeus têm o direito de saber por que razão essa discussão não é pública, no Parlamento Europeu, mas sim numa conversa privada entre dois ministros. Os europeus devem ainda saber se realmente a Alemanha está realmente a controlar o poder europeu através da economia, ao ponto de já não se usar os canais europeus mas sim a conversa com o próprio ministro alemão.

Depois deste desvio ao tema do texto, quero concluír que realmente o jornalista não cometeu nenhuma falta, a nível ético, limitando-se a mostrar em primeira mão ao mundo um tema que nos afeta a todos. Coloca-se ainda outra questão que é talvez ainda mais importante, será que a Europa está a entrar num estado quase salazarista em que os governantes têm de tomar as decisões longe do povo mas para "bem do povo", será que a Europa está a entrar num estado político igual àqueles que sempre lutou para serem destruídos? Esperemos que não, porque pelo menos eu, ainda gosto demasiado da Europa para deixar que isso aconteça, e espero que todos os europeus estejam comigo.


15
Fev 12
publicado por Tó Zé, às 18:58link do post | comentar

Hoje, o Irão decidiu bloquear o petróleo iraniano a seis países europeus, entre os quais Portugal. Confesso que já estava, como muitas pessoas a aguardar esta decisão. Mas, o que me preocupa são as consequências políticas e militares desta decisão no Médio Oriente e no mundo ocidental.

Ainda que a cotação do barril de petróleo na bolsa tenha subido (como é de esperar numa situação destas) a economia não me preocupa muito porque decerto o ocidente comprará petróleo a outros países, não comprometendo assim as economias ocidentais.

O grave problema é que o Irão não vai parar por aqui. Provavelmente, se nós os continuarmos a chatear com o programa nuclear, o Irão fechará o estreito de Ormuz e aí, os grandes salvadores (EUA) entrarão em auxílio do mundo livre e civilizado começando uma guerra. Mais grave é o facto de os países árabes estarem em «rebuliço» e pelo menos uma ex-ditadura já vai basear a sua constituição na Sharia, o que a pode unir ao Irão como teocracia islâmica. Se isso acontecer, poderemos estar perante uma grave guerra entre o mundo árabe e o ocidente que se prolongará por alguns anos.

Obviamente, a Europa pode evitar esta situação se, de início (ou agora), não apoiar as decisões diplomáticas e militares dos EUA, algo que não faremos por motivos económicos. A Europa está em crise e precisa da economia de guerra para voltar ao seu auge, para isso, inventámos um conflito, provocámo-lo e vamos sofrê-lo.

Ainda assim, acredito que os governos tentarão de futuro evitar o conflito por agora e deixarão o primeiro ato para Israel.

Relativamente ao programa nuclear em si, acho incompreensível este súbito interesse do ocidente pelo Irão (a não ser pelos motivos dos parágrafos anteriores) e acho realmente que em vez de andarmos naquela caça ao armamento nuclear dos árabes (lembram-se do armamento iraquiano) e olhar para a realidade: Israel tem pelo menos uma bomba atómica (oferecida pelos EUA) e não tem inspeções da agência internacional de energia atómica. Infelizmente, esses são aliados dos EUA.

Para finalizar, espero que tenhamos consciência daquilo que estamos a provocar no mundo graças à nossa sede por uma economia saudável, e também que saibamos quantos jovens podem vir a morrer nesta guerra, a existir.


13
Fev 12
publicado por Tó Zé, às 14:24link do post | comentar

Aqui estou eu, na minha santa ignorância a escrever outro texto sobre a crise. Acho que este tema já me deveria ter passado, uma vez que a crise já tem cerca de cento e vinte anos.

Tenho a dizer que fui, com todo o prazer, à manifestação de dia onze no Terreiro do Paço e, constatei que não estava lá muita gente. Vi apenas lideres a tentarem-se iludir acerca do tamanho da manifestação. Mas, o novo lider da CGTP disse algo muito interessante, que devia passar na televisão, mas não acontece. Ele disse que quem emprestou dinheiro a Portugal era agiota, e realmente tem razão. Para além do elevadíssimo valor de taxas de juros, sendo Portugal um país pertencente ao FMI é para mim incompreensível que, se pagamos as cotas não nos dêem o nosso próprio dinheiro para nos salvarmos. Enquanto temos de dar, somos membros, mas quando temos de receber, somos incumpridores que só têm de ser explorados com o dinheiro que nós próprios pagámos. É um pouco como se eu depositasse o meu dinheiro num banco e depois, para o levantar, tinha de pagar ainda mais ao banco.

Para Portugal, aquele parágrafo é correto, e nós é que estamos mal.


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