"Although it is not true that all conservatives are stupid people, it is true that the most stupid people are conservative." John Stuart Mill
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Jan 12
publicado por Tó Zé, às 13:53link do post | comentar

Hoje em dia, os docentes têm cada vez mais paciência. Mais do que há trinta anos atrás, os professores têm de lidar com situações péssimas de mau comportamento, com uma agravante. Têm cada vez menos poder dentro das paredes da sala de aula.

Por exemplo, na escola do meu filho, mais precisamente na turma do meu filho, dão-se situações horrorosas em termos de comportamento e de respeito. Ignorando todas as advertências do professor, os alunos continuaram a conversar, e, ainda pior, algumas alunas continuaram a arranjar as unhas dentro da sala de aula. Perante esta situação, o professor mandou as alunas para a rua e marcou-lhes falta disciplinar, tudo normal. Na aula seguinte, os alunos voltaram a fazer exatamente as mesmas coisas e o professor voltou a tentar impor ordem na sala de aula, voltando a enviar os alunos para fora da sala, mas desta vez, para a direção com participação disciplinar.

Era a este ponto da situação que eu queria chegar. Na direção, o que pode acontecer ao aluno, no caso, alunas. Na direção, a escola pode aplicar todo um conjunto de medidas "disciplinares e pedagógicas", que vão desde, simples castigos ou repreensões até suspensões ou expulsões.

Analisando agora cada uma das soluções em particular, veremos se têm algum efeito prático, ou nem por isso.

Quando um castigo é aplicado a um "estudante", (citado porque o referido não passa de um matriculado desenrascado) ele continua sem qualquer preocupação o seu percurso, por vezes respeitando o castigo, mas sempre visto como um heroi pelos colegas, uma vez que fez frente ao "ditador da sala de aula", na minha opinião, o brando professor.

O castigo não consegue surtir nenhum efeito positivo no estudante, ocupando apenas tempo do professor, dos membros da direção e do diretor de turma (DT).

Quando o aluno é suspenso, estamos perante uma situação ainda mais grave, que só se dá em casos verdadeiramente extremistas. O aluno não vai à escola durante um certo período de tempo e fica com uma mancha no currículo, algo que deve preocupar muito o delinquente, uma vez que nestes casos já não falamos apenas de um aluno esporadicamente mal comportado, ou simplesmente traquinas. A suspensão volta de novo a dar apenas trabalho aos envolvidos no processo, direção, professores e DT, sem surtir um efeito prático para além do afastamento do aluno da escola durante um curto espaço de tempo, permitindo aos professores de terem um pouco de descanso.

Por fim, a tão famigerada expulsão, o castigo mais grave para um aluno, castigo que é muito raramente aplicado. Pessoalmente também não o acho brilhante, uma vez que devido ao ensino obrigatório, o aluno é admitido noutra escola, afastando o problema de um sítio, colocando-o noutro sitio. Assim, os professores da escola de origem já não estão a perder tempo, uma vez que conseguiram afastar definitivamente o insurgente da escola. Mas, a escola que recebe esse estudante, tem de o aguentar e de lhe tentar proporcionar um bom ambiente de estudo, por outras palavras, herdou o problema.

Com tudo isto eu quis dizer que as medidas que podem ser aplicadas representam efetivamente uma grave perda de poder por parte dos docentes.

Dito isto, que outras soluções podemos aplicar a este tipo de problemas/alunos? Podemos começar por dar sanções disciplinares muito piores, permitindo que os professores obriguem os alunos a resolver testes extremamente difíceis, dando aquilo que é realmente chato para um mau aluno. A direção da escola poderia ter numa fase de castigo imediatamente antes da expulsão, a fase em que a direção aprovava que se batesse no aluno, como se pode ver acontecer num filme como "O Clube dos Poetas Mortos", depois de tudo o que fez, o aluno é realmente penalizado. Obviamente, eu não defendo que se bata nos alunos como primeiro recurso, nem pelos motivos apresentados no filme a que fiz referência.

Numa fase em que a expulsão tinha mesmo de ser aplicada, aplicava-se mas sem que o aluno tivesse opurtunidade de se inscrever de novo numa escola, uma vez que se tinha esgotado todas as alternativas.

Para terminar, reforço que os professores têm de facto muito pouca autoridade para resolver quaisquer problemas.


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