"Although it is not true that all conservatives are stupid people, it is true that the most stupid people are conservative." John Stuart Mill
28
Jan 12
publicado por Tó Zé, às 13:08link do post | comentar

Apesar das declarações de Cavaco terem sido proferidas há já algum tempo, eu decidi falar desse tema apenas no rescaldo. Depois de muitos comentários a que assisti na internet, depois de muitas palavras sobre o tema vertidas como sangue nas publicações periódicas, acho que apenas Ricardo Araújo Pereira faz uma boa análise da situação.

Na sua crónica semanal na Visão, ele fala do modo como os portugueses estão finalmente unidos, Cavaco conseguiu realmente provocar esse efeito, mas, para o tentarem demitir.

Mas, para além daquilo que é dito na crónica, acho que há algo bastante mais importante. Durante dez anos aquele homem foi o nosso primeiro-ministro. Ele governou o país numa altura em que os portugueses tinham dinheiro. Estranhamente, esse mesmo homem consegue dizer que não tem dinheiro para pagar as suas despesas pessoais. 10000€ não chegam a um economista para as suas despesas, principalmente quando tem um palácio pago para viver, carros pagos pelo estado, roupa paga. Sendo que a única coisa que ele tem de comprar é às, vezes, a comida. Bem, se 10000€ não lhe chegam, a ele que é economista, então como estará uma pessoa com o ordenado mínimo? A morrer à fome.

Estas declarações deixam-nos duas questões. A primeira é a competência de Cavaco Silva enquanto economista, e a outra é a justiça do salário mínimo nacional.

Relativamente à competência, a resposta é mais que evidente. O país está a atravessar uma crise de sobreendividamento, algum tempo depois de ele ser primeiro-ministro, na verdade, aquele que mais endividou o país. Por outro lado, Cavaco foi um professor de economia que ensinou centenas de alunos, que possivelmente até foram gerir empresas, que dez mil euros não chegam para pagar despesas que não chegam a metade do valor, estão explicadas as falências nacionais.

A segunda questão tem uma resposta ainda mais simples. Deve-se aumentar o salário mínimo nacional para dez mil euros por mês, os portugueses têm de conseguir viver. Espero que o PCP ou o BE levem esta proposta ao parlamento, mesmo como uma parvoíce, pelo menos envergonha os deputados do PSD.

Para mais, eu tenho uma frase neste blog que diz que ainda que nem todos os conservadores sejam estúpidos, é certo que os mais estúpidos são conservadores. Para isso ser comprovado, basta verificar Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite (se bem se recordam, ela fazia questão em não ir preparada para os debates). Dois exemplos dos piores políticos portugueses, ambos no mesmo partido de centro direita. Fantástico, não acham?


22
Jan 12
publicado por Tó Zé, às 09:11link do post | comentar

Pretendo com este texto falar sobre dois assuntos que para mim marcaram o dia de ontem. O primeiro assunto é o discurso do primeiro-ministro na cerimónia de abertura da capital europeia da cultura. O segundo assunto é a manifestação do movimento 15 de Outubro que graças aos nacionalistas acabou mal.

Indo ao tema do PM, acho absurdo que ele diga o que disse e depois o presidente diga que este evento é uma declaração de confiança de Portugal ao mundo. Das duas uma, ou o Estado é realmente um grande aproveitador da iniciativa privada, ou, o PR e o PM são antagónicos nas suas declarações mas são do mesmo partido.

Digo que o Estado é aproveitador, porque o governo não quer investir mas os privados investem e ele aproveita-se para mostrar que está tudo bem. Também acho que o Estado já não cumpre as suas funções, uma vez que se há classe que precisa de patronos são os artistas e em tempo de crise raramente os privados querem ser patronos, como tal, o Estado já não serve para cumprir o seu propósito de protetor dos cidadãos. Bestial!

Chegando ao tema da manifestação, tenho a dizer que tenho medo de movimentos que não sejam organizados por partidos políticos, uma vez que eu não sei quem está a organizar aquele acontecimento e qual é o verdadeiro propósito. Ainda que, segundo a rádio renascença, estivesse presente o MRPP, não foi esse partido que organizou a manifestação.

As manifestações de movimentos apartidários incomodam-me principalmente quando no ano passado, o mundo árabe foi destruido por um movimento semelhante organizado pela internet. O mundo árabe ainda tem outra preocupação, uma vez que, antes da revolta, a cadeia de televisão Al-Jazira era considerada associada à al-quaeda e agora é considerada a televisão dos libertadores, com o apoio do mundo ocidental, é estranho.

Mas, voltando ao caso português, a manifestação apartidária foi em frente à assembleia atacado por um grupo de nacionalistas. Mais do que o não saber quem está por detrás de algo, assusta-me quando existe também um movimento nacionalista. Num, eu não sei quem está por trás, noutro sei que são loucos que quando chegam ao poder provocam guerras mundiais, qual o melhor?

É neste estado que nós atualmente vivemos, o país tem líderes que se contradizem e grupos populares perigosos, já para não falar de uma dívida externa catastrófica.

Este é o estado a que o Estado chegou.


17
Jan 12
publicado por Tó Zé, às 18:53link do post | comentar

De acordo com a notícia avançada pela SIC de que Kim Jong-nam disse que o regime está perante um colapso eminente, tenho a dizer que não concordo com essa notícia.

Primeiro por uma falha técnica, a Coreia do Norte não é a única ditadura comunista do mundo. Apesar de a China ser aquilo que é, um estado capitalista de estado, ou seja, um país altamente capitalista cuja economia é controlada por um conjunto de pessoas que diz representar toda a população. Mas, Cuba continua a ser um país comunista, uma vez que continua a ser um país pobre e bastante pouco desenvolvido, mas com os melhores médicos do mundo e condições de vida para a população, mesmo com o bloqueio dos EUA.

Tirando esta falha técnica, a Coreia do Norte não é de todo um regime aberto, como tal, podemos aplicar o regime do livro 1984 a esse país. De facto, a Coreia do Norte continua em guerra com a Coreia do Sul, o que dá ao Estado um inimigo para apresentar à população, o capitalismo. Depois, a Coreia do Norte, tem uma economia débil, que como disse Kim Jong-nam, não consegue alimentar os cidadãos, mas, o novo ditador pode culpar de novo o capitalismo como grande inimigo da pátria.

Infelizmente, não me parece que o novo líder vá fazer reformas no país, portanto, as pessoas não vão tomar consciência da forma como estão a ser enganadas.

Não quero que com este texto o leitor pense que eu estou a defender o regime norte coreano, porque apesar de eu ser comunista não sou insensível e ditador para o próprio povo, apesar de gostar de viver num estado completamente igualitário, não o quero impor às pessoas, até acho que a melhor forma de governo em democracia é uma social democracia (pura, não como a portuguesa).

No entanto, questiono-me se o destino daquele povo poderá estar assim tão mau. Um novo líder pode sempre ser um sinal de esperança, podendo até ser que este saiba governar e dê realmente qualidade de vida à população, mas duvido

Esperemos que de qualquer modo aquelas pessoas voltem a ter comida ao fim de tanto tempo.

Deixo também um aviso para nós, ocidentais. Aquelas pessoas não foram obrigadas a chorar, elas gostavam do líder porque eram manobradas para tal pelo governo.

Um outro aviso é que apesar de querermos um regime livre, tenho a certeza de que não queremos entrar numa ditadura de extrema direita, algo que como em muitas das situações de crise na Europa, está a voltar a acontecer. Não quero novos Hitlers, mas desta vez com o consentimento da Europa. Quero uma Europa estável e unida onde todas as pessoas possam eleger os seus líderes em democracia, não governos tecnocratas impostos pelo exterior e pela economia como na Grécia e na Itália.


15
Jan 12
publicado por Tó Zé, às 09:50link do post | comentar

Neste pequeno texto quero recomendar a todas as pessoas que assistam ao programa "Conversas Improváveis" na SICNotícias, que começou ontem em grande com o Marcelo Rebelo de Sousa e o Ricardo Araújo Pereira, os dois mais importantes comentadores políticos portugueses, cada um da sua maneira.

Estes dois homens marcam as suas gerações e são ambos muito inteligentes. Apesar de serem de partidos políticos distintos, são ambos opiniões que todos nós devíamos ouvir e respeitar, pela sua capacidade de analisar a informação de um modo o mais imparcial possível.

Quero recomendar a todos os leitores que assistam ao programa completo neste vídeo do YouTube.

 

 


14
Jan 12
publicado por Tó Zé, às 19:30link do post | comentar

Após ter lido a notícia do website da Rádio Renascença esta tarde sobre os transportes na cidade de Lisboa, fiquei abismado.

Com aquilo que nós, utentes, pagamos, temos direito a uma porcaria de serviço só porque o Estado tem de cortar custos, deixando que os portugueses que vão trabalhar o façam em condições de escravos mal pagos!

Numa altura em que todos falam dos chineses que vieram cá dominar isto, parece-me que o verdadeiro inimigo da pátria, com direito a assento no banco dos réus do tribunal, é verdade seja dita, o próprio Estado, com todos os seus ministros.

Agora consigo perceber porque é que queriam aumentar o horário de trabalho em mais meia hora diária, era suposto que os trabalhadores aproveitassem e lá dormissem.

Numa altura em que tanto se fala de poupar energia, gastar menos combustíveis fósseis e outras patetices, o nosso Estado consegue reduzir os transportes públicos e ainda aumentar os respetivos preços. Cada vez mais concordo com aqueles que levam o carro para o trabalho, apesar de não o fazer, uma vez que vou de autocarro até ao Campo Grande e depois apanho o metro, como muita gente. Mas agora, pagamos mais por um serviço pior. O povo está literalmente a ser explorado, mas, como ouvimos à anos que nos habituámos mal às coisas, não nos importamos e até achamos justo.

Só espero que durante este ano o nosso país chege a uma situação de estado de sitio, onde os mercedes e BMWs dos ministros sejam assaltados pelas pessoas furiosas, e aqui, também estou a pensar na coragem dos portugueses para fazer isto. Eu confesso que considerei aqueles movimentos de acampar na baixa das cidades uma parvoíce pegada, mas, confesso também que apesar de em situação nenhuma serei violento, nunca irei mexer um dedo que seja para defender alguém que vá num carro do estado de ser justamente morto pela população. Eu sempre defendi e vou continuar a defender a paz, mas a partir de agora não contem comigo para a apregoar. Compreendo quem usar a violência, só acho uma pena que o governo dê motivos às pessoas para o fazer.

Voltando ao tema dos transportes, é realmente degradante que um país que tem vindo a tentar desenvolver alguma consciência ambiental, se dê motivos às pessoas para voltarem a usar os automóveis. Estamos a voltar a um período em que os ricos vão nos seus grandes carrões para as empresas e os pobres vão a pagar balúrdios nos autocarros, quando há.

Um país que tentou que as pessoas até usassem os transportes públicos, está a afastar essas mesmas pessoas.

Na minha qualidade de utente, só espero que passe a ser mais barato ir de carro, assim, espero que todos os lisboetas impeçam os membros da alta finança de conseguirem trabalhar, e que, quando cá vierem comissões da Troika ver se está tudo bem, nem a escolta policial os consiga pôr a passar pelo trânsito da capital. Apesar de não ser a favor do protesto pela violência, sou a favor do protesto pela barafunda, que pode provocar estragos económicos muito maiores.


publicado por Tó Zé, às 11:26link do post | comentar

É com uma intensa satisfação que este governo leva em consideração os interesses do Bloco de Esquerda (BE), uma vez que é este o único partido com representação na assembleia que tem maoistas nas suas hostes. Pelo menos assim pensava eu.

Mas, porque é que hoje eu resolvi dizer que o governo é maoista? Foi porque o governo está a fechar os centros de novas oportunidades, e para quem não sabe, Mao Tsé Tung defendia que a revolução se fazia pela educação, mas, quem já era mais velho era um caso perdido, como tal, só se educava os jovens.

Aliás, um observador atento verificará que o Estado tem uma estreita relação de negócios com os maoistas, uma vez que lhes vende a EDP, a atual Chinese MegaStore do Marquês de Pombal em Lisboa. E quer abrir a possibilidade de investimento dos chineses no BCP, digam lá se não é amizade.

De facto, acho que o facto de se negociar com os chineses, não faz do governo maoista. Mas, o facto de se comportarem como maoistas já os transforma, pelo menos, em simpatizantes desta ideologia.

Ainda assim, pergunta o leitor, para além do que está referido no segundo parágrafo do texto, que mais foi feito pelo governo para se confundir com o maoismo? O governo, à semelhança do regime de Mao, comporta-se como um regime absolutista. Como?, pergunta o leitor.

Fazendo o que faz, como tem maioria absoluta, dita aos portugueses aquilo que devem fazer para ultrapassar a crise, sublinhando sempre a coragem do povo português.

O que fazia o Mao? Dizia aos chineses para trabalharem porque as decisões dele estavam sempre corretas, sublinhando sempre que tinham de o fazer porque senão voltavam a viver mal sob o jugo do imperador. Não vos lembra ninguém? A mim, lembra-me o ministro Victor Gaspar a dizer que são necessários mais sacrifícios, que têm de ser postos em prática pelo povo português, senão, voltamos para o regime dos grandes gastos de José Sócrates.

Na minha opinião sincera, a coligação no governo está mal feita. Deviam substituir o CDS-PP pelo BE, funcionava melhor em termos de ideais. Porque um partido de direita a aumentar impostos, quando os devia diminuir para as pessoas gastarem esse dinheiro no setor privado. Está mal.


publicado por Tó Zé, às 09:21link do post | comentar

Depois de ontem ter falado um pouco sobre as opções que os líderes estão a tomar na condução da nossa economia, fui confrontado no telejornal de que Portugal tinha sido reduzido ao nível de lixo pela única agência que restava.

Infelizmente, esta decisão não me surpreende, uma vez que se eu fosse um investidor, também nunca iria investir em Portugal, estaria automaticamente a perder dinheiro.

Na verdade, acho surpreendente que isto não tenha acontecido mais cedo, como aconteceu nas outras agências, que já constataram a verdade à bastante mais tempo. O nosso país é lixo financeiro, mas, a grande questão é porquê.

A essa questão, confesso, eu só consigo imaginar respostas, não sabendo se estarão verdadeiramente corretas. Na verdade, penso que tudo isto se deve à má gestão dos fundos comunitários, realizada pelos governos PSD que estavam no poder na altura (1985-95), curiosamente governos liderados pelo nosso atual presidente da república, o professor Aníbal Cavaco Silva. A mesma pessoa que diz ter previsto esta situação e até avisou os governos. Será que é ele que não se lembra do que fez, ou a má demagogia funciona realmente em Portugal? Outra questão que não sei resolver.

Mas, voltando ao que interessa, devido à má gestão de fundos comunitários (atenção que aqui, ao contrário dos partidos de esquerda de Portugal, não aponto o dedo à UE mas sim aos portugueses), devido à má gestão dos fundos, Portugal não conseguiu desenvolver verdadeiramente o turismo, área que era suposto desenvolver, limitando-se a executar uma série de manobras para que as pessoas, maioritariamente estrangeiros, viessem passar duas semanas de férias em Portugal. Portugal poderia ter explorado ao máximo pontos turísticos como o Gerês, sendo que o povo do mundo que mais gosta de florestas é o alemão, poderia ter explorado o Douro, algo que começou a fazer à muito pouco tempo, poderia ter explorado a região de Sintra, que no século XIX trazia tantos viajantes do Grã-Bretanha ao nosso país.

Mas não, turismo em Portugal significa praia (Algarve) e cidade (Lisboa), noutros sítios do país é raro encontrar estrangeiros, salvo raras exceções.

Portugal poderia também ter investido em áreas como a pesca, porque a maior ZEE da Europa está praticamente vazia, mas não, preferimos deixar cair uma indústria como era a dos enlatados, em Olhão, no Algarve, para termos um turismo em cidades algarvias, que em nada beneficiaram os olhanenses.

No Alentejo poderíamos ter investido na agricultura, mas preferimos desertificar aquela região, para haver trabalhadores no pseudoturismo do litoral português.

Assim, concluo este texto a dizer que Portugal está assim, não devido aos outros, mas devido a si mesmo, não investimos porque não quisemos e agora, quando começamos a sentir que precisamos, já não conseguimos fazer. É pena, este país nunca seria uma grande potência, mas seria um país desenvolvido, com capacidade de subsistir em tempos como estes.


13
Jan 12
publicado por Tó Zé, às 16:30link do post | comentar

Depois de ter visto em vários blogues textos sobre este tema decidi escrever também eu um texto sobre o projeto que está a ser discutido na especialidade sobre o pagamento de uma taxa sobre os direitos de autor ao comprar dispositivos de armazenamento de informação.

Tenho de dizer que à primeira vista este projeto de lei me parece disparatado. Moralmente, depois de pagarmos esta taxa, temos o direito de piratear, uma vez que já pagámos os direitos de autor.

Eu, que nunca pirateei nada vou continuar a não o fazer, apenas para agradar a minha consciência, mas, ao contrário do que fazia anteriormente, vou deixar de reclamar com quem o faz, uma vez que agora pagamos impostos para isso.

Por outro lado, este projeto de lei tem alguma razão de ser na nossa sociedade. Uma vez que por um pagam todos, e que muita gente na nossa sociedade já pirateia à muito tempo, este projeto é infelizmente aceitável, assim, estamos imediatamente a punir essas pessoas. Uma vez que vivemos numa sociedade que cada vez mais faz este tipo de coisas.

Ainda assim, espero que este projeto de lei não seja só uma desculpa para o Estado ganhar mais dinheiro em impostos só para cobrir o défice das contas públicas, espero que esta lei seja para punir as pessoas e seja levantada se porventura as pessoas deixarem de piratear.

Com este texto não quer dizer que concorde com este projeto de lei, mas acho-o aceitável no atual contexto social.


publicado por Tó Zé, às 15:52link do post | comentar

Reprodução da notícia do jornal Público em Abril de 2011:

 

«Alexandre Soares dos Santos discursou perante uma plateia de associados da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEG), que se reuniu ontem num jantar debate no Bom Jesus, em Braga.
O “homem forte” do grupo que detém o Pingo Doce começou por fazer uma “análise” à situação “preocupante” de Portugal.
“O país vai mal”, afirmou e apresentou quatro motivos para a situação de Portugal: “inércia, incompetência, falta de sentido de Estado e passividade da sociedade civil”.
Para Alexandre Soares dos Santos, “a sociedade viu nascer uma crise política, social e financeira mas escondeu a cabeça na areia, como a avestruz”.
Esta “passividade” é sinal, explicou, de “que se tem vindo a perder a noção de ética e do comportamento social responsável”.
Alexandre Soares dos Santos afirmou que o “caminho” passa por “forçar quem de direito a apresentar soluções sérias” e a “valorizar e incentivar o trabalho com salários justos, privilegiando a qualidade de serviços e produtos”.
Mas, alertou o presidente da Jerónimo Martins, “é necessário ter uma visão de médio/longo prazo” e que “não é destituindo Governos sucessivamente que o país vai lá”.
O momento que Portugal atravessa, defendeu Alexandre Soares dos Santos, “é de uma gravidade extrema” e avisou que é “imperativo que se esteja preparado para fazer sacrifícios”.
No entanto, explicou, “também é tempo de exigir que os impostos cobrados sejam bem aplicados e exigir aos governos que cumpram aquilo que prometem”.
Sobre os partidos políticos, Alexandre Soares dos Santos, afirmou que estes “não representam o país” mas que a “culpa” é da sociedade civil “que não se faz ouvir”.
A crise que as empresas portuguesas atravessam, segundo o responsável da Jerónimo Martins, “resulta de uma situação de capitais próprios fracos e bastou uma quebra nas vendas para que elas quebrassem”.
Para exemplificar a “gravidade” da situação social do país, Alexandre Soares dos Santos deu como exemplo o que se passa no grupo que gere.
“No Pingo Doce um por cento dos salários dos trabalhadores estão penhorados. Isto é o reflexo de que o momento que passamos não só uma crise económica mas também social”, adiantou.
Aos empresários e gestores presentes, Alexandre Soares dos Santos deixou uma mensagem de “esperança”.
“Lembrem-se de que amanhã será sempre melhor que hoje. Não podemos é desistir, principalmente nos momentos mais difíceis”, sublinhou.»

 

Usei esta notícia também apresentada no blogue de Pedro Rolo Duarte para introduzir o tema da hipocrisia e não da fuga aos impostos.

A família Soares dos Santos, maior acionista do Pingo Doce conseguiu fazer uma brilhante fuga aos impostos, o que fez com que muitos portugueses, eu incluído os considerassem desertores.

Muitos portugueses estão indignados por causa da fuga aos impostos, eu pessoalmente, não estou tanto, visto que dezanove das vinte principais empresas portuguesas o fizeram. Para criticar uma, teria de criticar todas. Também não tiro o valor ao argumento defensivo de Soares dos Santos que diz que apesar de se falar da sua fuga aos impostos, não se ouve falar dos mil postos de trabalho que criou no ano passado, é um facto e ninguém o pode negar. Eu estou verdadeiramente indignado é com a hipocrisia deste homem que no ano passado dizia que todos os portugueses devem fazer sacrifícios para voltar a levantar o país. Isso indigna-me profundamente.

Com isto quis apenas dizer que acho que todos os portugueses façam um boicote aos Supermercados Pingo Doce, visto ser a única forma de atingir os lucros do senhor Soares dos Santos, um grande santo como se vê.

Se os portugueses não são capazes de deixar de lá ir porque não se indignam com a hipocrisia de quem deve dar o exemplo, então estou a favor de que o Estado por si próprio destrua o Pingo Doce e o leve à falência, dando lugar a novas empresas, grande parte delas mais pequenas, restaurando assim o comércio tradicional na alimentação.

Se a ASAE tem realmente uma desculpa que seja para atingir o Pingo Doce, que a use e que destrua aquela fonte de rendimento ao hipócrita mais famoso do país.

Espero que em breve a fortuna daquele homem seja reduzida de modo a que ele sofra as consequencias das suas palavras que não cumpre.

Pegando agora no tema da hipocrisia na nossa sociedade, é um facto que os portugueses não se podem indignar com um hipócrita, uma vez que esse é um defeito cada vez mais presente nas pessoas, principalmente nos jovens.

Outro dia, uma amiga minha que é professora contou-me que numa turma sua de português no secundário, quase todos os alunos se viraram contra ela por ela ter dito que a turma tinha atitudes hipócritas quando disse que um colega era realmente mau a apresentar trabalhos, mas que a professora não reclamasse com ele porque era a sua forma de ser, no fim da apresentação, todos os alunos bateram palmas, mesmo sabendo que a apresentação tinha sido uma porcaria. No entanto, nenhum dos alunos achou que tinha tomado uma atitude hipócrita.

O exemplo que eu aqui mostrei foi só para dizer como são os jovens atualmente, mas como eles são o reflexo da sociedade, não os posso culpar por porem em prática aquilo que aprendem em casa e na rua, só posso culpar os portugueses, comigo incluído.


publicado por Tó Zé, às 13:12link do post | comentar

Numa resposta muito própria do Zé Povinho se me fizessem uma questão onde perguntassem qual das duas opções preferia, eu responderia "Venha o diabo e escolha", isto deve-se ao facto de que as crises do século XX não foram resolvidas com cortes mas sim com aumentos.

Estranho? Talvez não, leiam o resto.

Quando se dá uma crise económica, uma das coisas mais importantes a fazer é colocar dinheiro a circular para as pessoas voltarem a investir na economia, sendo que isso pode ser feito de muitas maneiras. Mas, também se usou uma tática de redução do horário de trabalho e até aumento de ordenados.

Obviamente estas medidas parecem estranhas ao observador comum, se há menos dinheiro, é de esperar que se reduza os salários, para diminuir os custos de produção, e se aumente o horário de trabalho, para aumentar a produção. Acontece, que os economistas na década de trinta do século XX descobriram que os problemas não se resolvem assim. É preciso que as pessoas gastem dinheiro na economia para que essa volte a existir, por isso aumenta-se os salários.

Mas, agora que está explicado um dos pontos falta explicar o outro, está a pensar o leitor. É verdade. O horário de trabalho é reduzido, porque se a sociedade está a enfrentar problemas de desemprego, é necessário colocar mais pessoas a trabalhar, mas, é óbvio que os patrões nunca querem isto, então obriga-se os patrões a precisar de mais pessoal, colocando aqueles que já existem a trabalhar menos tempo.

Imagino agora que se o leitor ainda está a ler este texto, está bastante confuso, isso deve-se a dois motivos. O primeiro é que se tudo isto é assim tão óbvio, por que razão o governo não põe isto em prática? O segundo é que se não há dinheiro, estas medidas só iriam provocar a falência das empresas que ainda conseguem resistir, principalmente entre as pequenas e médias empresas.

A resposta à primeira questão, eu só posso dizer que provavelmente o nosso atual governo segue um modelo económico diferente daquele que foi aplicado noutras crises, noutros países, uma vez que a outra alternativa implicava a incompetência dos nossos governantes, na qual eu pessoalmente não acredito.

A resposta à segunda questão é bastante mais simples, mas provavelmente mais longa. Numa situação de crise, como eu referi no início do texto, os governos inserem geralmente dinheiro na economia, sendo que isso se pode fazer de variadíssimos modos. Aquele que eu vou referir neste texto foi aplicado na década de trinta pela administração Roosevelt nos EUA. Trocar dinheiro, notas, por ouro para derreter, assim, todas as pessoas que tinham peças de ourivesaria em casa, podiam trocá-las por dinheiro para gastar, aqui temos uma injeção de dinheiro diretamente na economia, sem recorrer à banca. Note-se que no atual contexto económico em que as pessoas estão a vender o seu ouro a empresas privadas, esta medida poderia ser útil. Mas, note-se também que como estamos inseridos numa moeda única o Estado português não poderia executar esta operação por si só, como fez o governo norte-americano. Ainda assim, espero que com o efeito contágio que muito provavelmente se vai assistir ao longo deste ano, a administração da UE tome medidas deste género.

Outra forma de inserir dinheiro na economia, mas desta vez com o único propósito de superar o défice das contas públicas é tomar a mesma opção que um dos governos da revolução francesa, penso que do período da Convenção, em que o Estado executa um empréstimo forçado aos ricos, para poder pagar as suas dívidas. Obviamente, isto iria levar a mais casos de deserção fiscal como o da família Soares dos Santos. O que agravaria ainda mais o défice das contas públicas.

Espero que este texto tenha sido útil para demonstrar a quem o leu que existem outras medidas para além dos cortes para reforçar uma economia, provocando menos estragos a nível social. Infelizmente os governos só as tomam quando todas as soluções estão completamente arrasadas e a única opção é, como diria de novo o Zé Povinho, lixar um bocadinho menos o mexilhão.


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