"Although it is not true that all conservatives are stupid people, it is true that the most stupid people are conservative." John Stuart Mill
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Jan 12
publicado por Tó Zé, às 16:30link do post | comentar

Depois de ter visto em vários blogues textos sobre este tema decidi escrever também eu um texto sobre o projeto que está a ser discutido na especialidade sobre o pagamento de uma taxa sobre os direitos de autor ao comprar dispositivos de armazenamento de informação.

Tenho de dizer que à primeira vista este projeto de lei me parece disparatado. Moralmente, depois de pagarmos esta taxa, temos o direito de piratear, uma vez que já pagámos os direitos de autor.

Eu, que nunca pirateei nada vou continuar a não o fazer, apenas para agradar a minha consciência, mas, ao contrário do que fazia anteriormente, vou deixar de reclamar com quem o faz, uma vez que agora pagamos impostos para isso.

Por outro lado, este projeto de lei tem alguma razão de ser na nossa sociedade. Uma vez que por um pagam todos, e que muita gente na nossa sociedade já pirateia à muito tempo, este projeto é infelizmente aceitável, assim, estamos imediatamente a punir essas pessoas. Uma vez que vivemos numa sociedade que cada vez mais faz este tipo de coisas.

Ainda assim, espero que este projeto de lei não seja só uma desculpa para o Estado ganhar mais dinheiro em impostos só para cobrir o défice das contas públicas, espero que esta lei seja para punir as pessoas e seja levantada se porventura as pessoas deixarem de piratear.

Com este texto não quer dizer que concorde com este projeto de lei, mas acho-o aceitável no atual contexto social.


publicado por Tó Zé, às 15:52link do post | comentar

Reprodução da notícia do jornal Público em Abril de 2011:

 

«Alexandre Soares dos Santos discursou perante uma plateia de associados da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEG), que se reuniu ontem num jantar debate no Bom Jesus, em Braga.
O “homem forte” do grupo que detém o Pingo Doce começou por fazer uma “análise” à situação “preocupante” de Portugal.
“O país vai mal”, afirmou e apresentou quatro motivos para a situação de Portugal: “inércia, incompetência, falta de sentido de Estado e passividade da sociedade civil”.
Para Alexandre Soares dos Santos, “a sociedade viu nascer uma crise política, social e financeira mas escondeu a cabeça na areia, como a avestruz”.
Esta “passividade” é sinal, explicou, de “que se tem vindo a perder a noção de ética e do comportamento social responsável”.
Alexandre Soares dos Santos afirmou que o “caminho” passa por “forçar quem de direito a apresentar soluções sérias” e a “valorizar e incentivar o trabalho com salários justos, privilegiando a qualidade de serviços e produtos”.
Mas, alertou o presidente da Jerónimo Martins, “é necessário ter uma visão de médio/longo prazo” e que “não é destituindo Governos sucessivamente que o país vai lá”.
O momento que Portugal atravessa, defendeu Alexandre Soares dos Santos, “é de uma gravidade extrema” e avisou que é “imperativo que se esteja preparado para fazer sacrifícios”.
No entanto, explicou, “também é tempo de exigir que os impostos cobrados sejam bem aplicados e exigir aos governos que cumpram aquilo que prometem”.
Sobre os partidos políticos, Alexandre Soares dos Santos, afirmou que estes “não representam o país” mas que a “culpa” é da sociedade civil “que não se faz ouvir”.
A crise que as empresas portuguesas atravessam, segundo o responsável da Jerónimo Martins, “resulta de uma situação de capitais próprios fracos e bastou uma quebra nas vendas para que elas quebrassem”.
Para exemplificar a “gravidade” da situação social do país, Alexandre Soares dos Santos deu como exemplo o que se passa no grupo que gere.
“No Pingo Doce um por cento dos salários dos trabalhadores estão penhorados. Isto é o reflexo de que o momento que passamos não só uma crise económica mas também social”, adiantou.
Aos empresários e gestores presentes, Alexandre Soares dos Santos deixou uma mensagem de “esperança”.
“Lembrem-se de que amanhã será sempre melhor que hoje. Não podemos é desistir, principalmente nos momentos mais difíceis”, sublinhou.»

 

Usei esta notícia também apresentada no blogue de Pedro Rolo Duarte para introduzir o tema da hipocrisia e não da fuga aos impostos.

A família Soares dos Santos, maior acionista do Pingo Doce conseguiu fazer uma brilhante fuga aos impostos, o que fez com que muitos portugueses, eu incluído os considerassem desertores.

Muitos portugueses estão indignados por causa da fuga aos impostos, eu pessoalmente, não estou tanto, visto que dezanove das vinte principais empresas portuguesas o fizeram. Para criticar uma, teria de criticar todas. Também não tiro o valor ao argumento defensivo de Soares dos Santos que diz que apesar de se falar da sua fuga aos impostos, não se ouve falar dos mil postos de trabalho que criou no ano passado, é um facto e ninguém o pode negar. Eu estou verdadeiramente indignado é com a hipocrisia deste homem que no ano passado dizia que todos os portugueses devem fazer sacrifícios para voltar a levantar o país. Isso indigna-me profundamente.

Com isto quis apenas dizer que acho que todos os portugueses façam um boicote aos Supermercados Pingo Doce, visto ser a única forma de atingir os lucros do senhor Soares dos Santos, um grande santo como se vê.

Se os portugueses não são capazes de deixar de lá ir porque não se indignam com a hipocrisia de quem deve dar o exemplo, então estou a favor de que o Estado por si próprio destrua o Pingo Doce e o leve à falência, dando lugar a novas empresas, grande parte delas mais pequenas, restaurando assim o comércio tradicional na alimentação.

Se a ASAE tem realmente uma desculpa que seja para atingir o Pingo Doce, que a use e que destrua aquela fonte de rendimento ao hipócrita mais famoso do país.

Espero que em breve a fortuna daquele homem seja reduzida de modo a que ele sofra as consequencias das suas palavras que não cumpre.

Pegando agora no tema da hipocrisia na nossa sociedade, é um facto que os portugueses não se podem indignar com um hipócrita, uma vez que esse é um defeito cada vez mais presente nas pessoas, principalmente nos jovens.

Outro dia, uma amiga minha que é professora contou-me que numa turma sua de português no secundário, quase todos os alunos se viraram contra ela por ela ter dito que a turma tinha atitudes hipócritas quando disse que um colega era realmente mau a apresentar trabalhos, mas que a professora não reclamasse com ele porque era a sua forma de ser, no fim da apresentação, todos os alunos bateram palmas, mesmo sabendo que a apresentação tinha sido uma porcaria. No entanto, nenhum dos alunos achou que tinha tomado uma atitude hipócrita.

O exemplo que eu aqui mostrei foi só para dizer como são os jovens atualmente, mas como eles são o reflexo da sociedade, não os posso culpar por porem em prática aquilo que aprendem em casa e na rua, só posso culpar os portugueses, comigo incluído.


publicado por Tó Zé, às 13:12link do post | comentar

Numa resposta muito própria do Zé Povinho se me fizessem uma questão onde perguntassem qual das duas opções preferia, eu responderia "Venha o diabo e escolha", isto deve-se ao facto de que as crises do século XX não foram resolvidas com cortes mas sim com aumentos.

Estranho? Talvez não, leiam o resto.

Quando se dá uma crise económica, uma das coisas mais importantes a fazer é colocar dinheiro a circular para as pessoas voltarem a investir na economia, sendo que isso pode ser feito de muitas maneiras. Mas, também se usou uma tática de redução do horário de trabalho e até aumento de ordenados.

Obviamente estas medidas parecem estranhas ao observador comum, se há menos dinheiro, é de esperar que se reduza os salários, para diminuir os custos de produção, e se aumente o horário de trabalho, para aumentar a produção. Acontece, que os economistas na década de trinta do século XX descobriram que os problemas não se resolvem assim. É preciso que as pessoas gastem dinheiro na economia para que essa volte a existir, por isso aumenta-se os salários.

Mas, agora que está explicado um dos pontos falta explicar o outro, está a pensar o leitor. É verdade. O horário de trabalho é reduzido, porque se a sociedade está a enfrentar problemas de desemprego, é necessário colocar mais pessoas a trabalhar, mas, é óbvio que os patrões nunca querem isto, então obriga-se os patrões a precisar de mais pessoal, colocando aqueles que já existem a trabalhar menos tempo.

Imagino agora que se o leitor ainda está a ler este texto, está bastante confuso, isso deve-se a dois motivos. O primeiro é que se tudo isto é assim tão óbvio, por que razão o governo não põe isto em prática? O segundo é que se não há dinheiro, estas medidas só iriam provocar a falência das empresas que ainda conseguem resistir, principalmente entre as pequenas e médias empresas.

A resposta à primeira questão, eu só posso dizer que provavelmente o nosso atual governo segue um modelo económico diferente daquele que foi aplicado noutras crises, noutros países, uma vez que a outra alternativa implicava a incompetência dos nossos governantes, na qual eu pessoalmente não acredito.

A resposta à segunda questão é bastante mais simples, mas provavelmente mais longa. Numa situação de crise, como eu referi no início do texto, os governos inserem geralmente dinheiro na economia, sendo que isso se pode fazer de variadíssimos modos. Aquele que eu vou referir neste texto foi aplicado na década de trinta pela administração Roosevelt nos EUA. Trocar dinheiro, notas, por ouro para derreter, assim, todas as pessoas que tinham peças de ourivesaria em casa, podiam trocá-las por dinheiro para gastar, aqui temos uma injeção de dinheiro diretamente na economia, sem recorrer à banca. Note-se que no atual contexto económico em que as pessoas estão a vender o seu ouro a empresas privadas, esta medida poderia ser útil. Mas, note-se também que como estamos inseridos numa moeda única o Estado português não poderia executar esta operação por si só, como fez o governo norte-americano. Ainda assim, espero que com o efeito contágio que muito provavelmente se vai assistir ao longo deste ano, a administração da UE tome medidas deste género.

Outra forma de inserir dinheiro na economia, mas desta vez com o único propósito de superar o défice das contas públicas é tomar a mesma opção que um dos governos da revolução francesa, penso que do período da Convenção, em que o Estado executa um empréstimo forçado aos ricos, para poder pagar as suas dívidas. Obviamente, isto iria levar a mais casos de deserção fiscal como o da família Soares dos Santos. O que agravaria ainda mais o défice das contas públicas.

Espero que este texto tenha sido útil para demonstrar a quem o leu que existem outras medidas para além dos cortes para reforçar uma economia, provocando menos estragos a nível social. Infelizmente os governos só as tomam quando todas as soluções estão completamente arrasadas e a única opção é, como diria de novo o Zé Povinho, lixar um bocadinho menos o mexilhão.


publicado por Tó Zé, às 10:37link do post | comentar

Tendo lido a notícia de hoje de manhã no website do DE, sinto-me bastante constrangido com a falta de visão da CP.

Morando eu num concelho perto de Lisboa e tendo de ir trabalhar para essa cidade quase todos os dias, faço-o de transportes públicos, mais precisamente, por uma empresa privada de transportes que não importa referir, mas que se aproveita de ser a única a operar no concelho para realizar preços de passes mensais de cento e muitos euros.

Dada a falta de compatibilidade dos horários da CP, eu tive de optar por viajar através dessa empresa caríssima, quando a linha do oeste ainda existia e tinha condições para os comboios lá passarem.

Este ano, para cortar nos custos, a ainda empresa pública CP, fechou a circulação de passageiros na linha do oeste porque não era financeiramente rentável para a empresa.

Pergunto-me se não seria economicamente viável para a empresa, em vez de demitir trabalhadores, ou nas palavras dos gestores, fazer rescisões, não seria mais rentável aproveitarem-se da situação e colocarem trabalhadores que já não são necessários noutras linhas a fazer dinheiro para os cofres da empresa naquela linha. Assim, as pessoas teriam uma maior facilidade de movimento de casa para o trabalho na capital e haveria uma maior adaptação dos preços aos interesses dos clientes, uma vez que voltaria a haver concorrência.

Podem-me dizer que não existem infraestruturas na linha do oeste, mas a verdade infeliz é que elas existem e a CP só tem a ganhar se as utilizar.

Eu sei que grande parte dos portugueses culpabiliza os funcionários da empresa por a levarem à falência, mas eu culpabilizo os gestores ainda mais bem pagos do que os maquinistas por não trabalharem para encontrar soluções viáveis para a empresa, e num acesso de burrice, que em Portugal é crónica nos gestores, destróem aquilo que lhes poderia dar dinheiro e não provocava que muitos trabalhadores fossem para o desemprego, não falando de quão mais prático seria para os utilizadores da linha.

Sugiro a todos os portugueses que não critiquem apenas os trabalhadores pelos direitos adquiridos, critiquem também os dirigentes por não quererem rentabilizar uma empresa, para lhes ser mais fácil de posteriormente a privatizarem, levando apenas os interesses da alta finança europeia em conta nas suas políticas.

Como sempre, os políticos favorecem grandes instituições, que depois graças a esse tão bom liberalismo deixam a economia europeia e mundial de rastos com crises como a de 1929 ou até de 2008.


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